
Nos idos de 1500...
O bairro de Pinheiros é considerado por diversos historiadores o primeiro bairro da cidade de São Paulo. Logo após a fundação do município, indígenas que abandonaram as regiões centrais da cidade com a chegada dos jesuítas passaram a ocupar a região denominada Vila dos Farrapos. A partir de 1562, o bairro passou a ser chamado Nossa Senhora dos Pinheiros, embora não existam registros de que houvessem essas espécies de árvores na região.
A área do bairro correspondia a uma sesmaria de Pedro Góes, doada por Martin Afonso de Sousa e que, a partir de 1584 passou a ser propriedade de Fernão Dias Paes, bandeirante que expulsou provisoriamente os jesuítas do local por não concordar com a escravização dos índios. A extensão territorial de Pinheiros ia desde o atual bairro do Butantã até o Pacaembu.
Embora isolada da "vila paulistana" por sua topografia, Nossa Senhora dos Pinheiros (também conhecida como Aldeia dos Pinheiros) obteve importância considerável pela atividade realizada no Rio Pinheiros, trecho de travessia obrigatória para indígenas e bandeirantes, especialmente com o crescimento e construção de mais vilas ao sul de São Paulo.
Quilombos, café e industrialização
Até o século XVII, o único acesso à Aldeia dos Pinheiros era pela atual Rua da Consolação, conhecida no período como o destacado Caminho dos Pinheiros. Além das travessias constantes pelo Rio, a região passou a desenvolver-se pela produção do sítio do Capão, de Fernão Dias Paes Leme, neto do dono da sesmaria que originou o bairro, e pelos quilombos que começaram a se instalar na região pela grande quantidade de terrenos disponíveis e matagais fechados, de difícil acesso.
O desenvolvimento dessas comunidades impulsionou não apenas o crescimento econômico, mas atraiu marginais que assaltavam os viajantes que trafegavam pelo local.
Apenas no século XIX, com o ciclo do café representando mais de 50% das exportações brasileiras, o bairro de Pinheiros passa a ter um desenvolvimento não marginal, tornando-se um bairro de classe média, que recebeu grandes levas de imigrantes italianos e, já no início do século XX, japoneses, responsáveis por alavancar o comércio e as indústrias da região.
O bairro, outrora conhecido como "Risca Faca", pela violência, botecos e difícil acesso (só era possível chegar a Pinheiros a cavalo ou a pé) ganhou novos contornos. Para se ter uma idéia, em 1924 a Vila Madalena contava somente com dez casas de alvenaria. O restante eram barracos. A mudança chegou aos poucos: em 1915, com a assinatura de um acordo entre o governo de São Paulo e a Fundação Rockfeller para a construção da Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, que deu origem, em 1944, ao Hospital das Clínicas; em 1928, com o aparecimento da eletricidade na região; e na mesma década de 1920, com a criação da Sociedade Hípica Paulista.
Avanços do século XX
A Vila de Nossa Senhora dos Pinheiros passou a ganhar ruas asfaltadas apenas nos anos 50, com todas as características de um bairro planejado. O cemitério São Paulo movimentou a região e auxiliou na integração de Pinheiros com os demais bairros da cidade. A cidade universitária da recém inaugurada Universidade de São Paulo, a USP, na década de 1960, atraiu estudantes, funcionários e professores. Além disso, o Largo da Batata, centro comercial existente desde o início do século XX, ganhou ainda mais força como ponto de venda e troca de mercadorias. Na década de 1990, durante o governo de Paulo Maluf, contudo, obras de prolongamento da Avenida Brigadeiro Faria Lima, interligando-a a Avenida Pedroso de Moraes, descaracterizaram as feições originais do Largo.
Aos poucos, a região de Pinheiros foi consolidando-se como um dos bairros mais sofisticados de São Paulo, com intensa vida cultural e gastronômica. A Vila Madalena, por exemplo, abriga centenas de bares, casas noturnas e centros culturais, além de promover anualmente um festival cultural chamado "Arte na Vila", movimentando a região. Pinheiros também é o bairro onde está localizado o Instituto Tomie Othake, o Museu da Pessoa, a Praça Benedito Calixto com sua feira de antigüidades e a Biblioteca Álvaro Guerra, que abriga o projeto Estação Memória. O bairro conta com as ações de projetos como o Guri e o Aprendiz, integrados ao conceito da relação cidade-escola, que beneficiam e auxiliam a capacitar centenas de moradores da região.
Agora, integrando-se a este cluster cultural está a Praça Victor Civita, localizada na Rua Sumidouro, próxima à estação Pinheiros da CPTM, ao futuro Terminal Capri e à estação Pinheiros da linha amarela do metrô, com parada de ônibus em frente à entrada.
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