
Qualquer empreendimento humano que almeje ser sustentável deve, portanto, ser socialmente justo, culturalmente aceito, economicamente viável e ecologicamente correto. A sustentabilidade social está alicerçada nos princípios de respeito aos direitos humanos, equilíbrio na distribuição de renda e solidariedade com relação aos laços sociais. Sob o viés econômico, o conceito de sustentabilidade consiste em aplicar os conceitos da sustentabilidade social tornando viáveis os projetos das organizações materiais.
A partir do aspecto cultural, a sustentabilidade visa a valorização e afirmação das manifestações locais e regionais, inseridas no contexto da globalização, sem, contudo, impor as padronizações do fenômeno globalizatório. Há, ainda, a sustentabilidade espacial, fundamentada no equilíbrio de utilização dos espaços do planeta e das relações inter-regionais, bem como na distribuição da população entre ambientes rurais e urbanos.
Politicamente, a sustentabilidade é pré-requisito fundamental para a continuidade de qualquer ação planejada para longo prazo. Finalmente, para que o ciclo se complete, o conceito de sustentabilidade ecológica ou ambiental pressupõe a preservação do planeta e da biosfera.
No Brasil, a preocupação com as questões relativas ao desenvolvimento sustentável, principalmente no que diz respeito ao meio ambiente e ao bem-estar social é cada vez mais forte, uma vez que pela sua natureza e legislação vigente, trata-se de um fator essencial não somente para a sobrevivência do planeta, mas dos próprios negócios. Isso explica porque os preceitos sustentáveis são aplicados em maior escala na indústria.
O desenvolvimento sustentável nas organizações pressupõe a manutenção dos padrões positivos de qualidade; a potencialização da produção sem danos ao ambiente e à sociedade; a autonomia de manutenção dos serviços no menor tempo possível; o pertencimento à redes de coadjuvantes sustentáveis; além de promover a divulgação de resultados e estratégias, como forma de dissipar as boas práticas nas organizações.
Desenvolver-se de modo sustentável é um processo político e, portanto, participativo, capaz de integrar as várias instâncias da sustentabilidade com vistas à manutenção da qualidade de vida em sociedade, partindo-se da esfera individual para a global.
Como Espaço Aberto da Sustentabilidade, a Praça Victor Civita busca, em suas ações, a aplicação viável desses conceitos, tanto em seu projeto pioneiro de recuperação de uma área urbana degradada, quanto em sua programação, atividades educativas, esportivas e culturais, bem como em seu modelo de gestão e parcerias. Trata-se de uma atitude de revitalização de um espaço que, de outra maneira, estaria causando danos ao meio ambiente. A Praça Victor Civita, como iniciativa sustentável, visa a continuidade de aspectos essenciais ao desenvolvimento humano em todas as suas instâncias, primando pela preservação ambiental, sem deixar de expressar grande potencial como espaço público na cidade de São Paulo.
As origens do conceito
Após o acidente nuclear em Chernobyl, na Ucrânia, em 1986, que provocou danos equivalentes aos provocados pela radiação emitida por 500 bombas atômicas como as utilizadas na Segunda Guerra Mundial, a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento CMMAD) da Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu, em 1987, um relatório em que criticava as políticas de desenvolvimento adotadas no período.
A proposta era de um novo modo de desenvolvimento, capaz de manter o progresso mundial, sendo passível de compartilhamento com os países considerados subdesenvolvidos e em desenvolvimento. O conceito de sustentabilidade ou desenvolvimento sustentável estabelecido pelo Relatório de Brundtland, portanto, consiste em "suprir as necessidades da geração presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprir as suas".
Tal conceito passou a ser considerado como pressuposto para ações práticas somente a partir de conferências como a ECO-92 no Rio de Janeiro e a Rio+10, realizada em 2002, em Joanesburgo, África do Sul. Após estas conferências e com o Protocolo de Kyoto transformado em realidade em diversas nações, indústrias, entidades, mídias e organizações sem fins lucrativos passaram a comandar os debates em torno do desenvolvimento sustentável.
Inúmeras ferramentas de medição da qualidade e da sustentabilidade das organizações passaram a ser criadas, avaliando constantemente os avanços relativos a este tipo de desenvolvimento continuado. Vale ressaltar que, além de correto e aceitável, ser sustentável passou a ser um bom rótulo para as empresas, consistindo em excelentes negócios, tanto para os produtores, quanto para os consumidores, cada vez mais consciente de seu papel na conservação da vida.