
O resultado dos maus tratos na área e dos resíduos não destruídos na queima dos materiais foi a contaminação do solo com traços de dioxinas, furanos e metais pesados, como chumbo, alumínio, zinco, entre outros.
Todas as substâncias tóxicas presentes no solo são dissipadas lentamente pela natureza ao longo dos séculos. Não há meios viáveis de remoção total desses resíduos.
Nesta perspectiva, e a partir de estudos e sondagens realizados pela Secretaria do Verde e Meio Ambiente do Município de São Paulo, pela Cetesb e pela GTZ, que culminaram em um Termo de Referência para recuperação de áreas degradadas, o Grupo Abril, em uma iniciativa de pioneirismo e responsabilidade social junto de seus parceiros, decidiu promover a reabilitação do terreno para uso público, sem oferecer quaisquer riscos à saúde dos visitantes da Praça Victor Civita.
Após avaliação e adequação confiáveis da área, de acordo com os pressupostos do Termo, constatou-se a possibilidade de acrescentar uma camada de 50 cm de solo para controlar os processos de contaminação, isolar pontos considerados perigosos e construir superfícies de proteção. Neste caso, um deck de madeira legalizada, de diferentes espécies brasileiras, passa a servir como limite para o passeio pela Praça, evitando que os transeuntes tenham qualquer contato direto com as áreas de solo degradado.
Uma atitude pioneira no sentido de reiterar a importância da reciclagem de áreas, e não apenas de materiais. Um local degradado pelo mau uso, como o terreno da Sumidouro, pode tornar-se um espaço instigante e instrutivo para o lazer e a reflexão sobre as questões ambientais e os grandes problemas urbanos. A área fica totalmente recuperada, sem, contudo, perder sua memória.
Para a continuidade das pesquisas, a Cetesb tem, na área do bosque, um espaço reservado à demonstração de prospecções, sondagens e monitoramento de solo e água subterrânea, com acesso para a entrada dos equipamentos necessários.